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[art_3] Brasil: Joias de crioula
 
Brasil, século XVIII. Os primeiros centros urbanos brasileiros crescem de forma rápida e intensa, com a economia apoiada na escravidão. As minas são descobertas e o ouro é farto, cobrindo as cidades de arte barroca. É nesse contexto que são produzidas as joias de crioula, feitas e usadas pela população negra, forra ou escrava, como símbolo de poder, sedução e magia.


Crioulas
Crioulas eram as mulheres negras, escravas ou forras, que viviam nas cidades. Diferentemente da população negra rural, submetida à imobilidade do cruel sistema escravagista, as crioulas tinham, por sua astúcia e força de vontade, pequenas oportunidades de burlar o sistema: no comércio miúdo das ruas, na intimidade das casas dos senhores, algumas vezes na prostituição, podiam ir guardando moedas e sobras que, poupadas, eram "aplicadas" nas joias feitas no Brasil, com características que misturavam influência africana, europeia e islâmica. Com o tempo, essa reserva poderia servir para que comprassem a própria liberdade e a de seus parentes.

As joias
Dessa forma, a incrível produção de joalheria feita no Brasil ganha uma representatividade ímpar. Se são o exemplo mais bem acabado de uma joalheria tipicamente brasileira, guardando todas as características da mais genuína arte da terra, esses objetos delicados são também símbolo da resistência de um povo, que lutou pela preservação de sua identidade, de seu orgulho e de sua contribuição para a construção do imaginário do país.

O livro
O fotógrafo Thomas Milz e a ourives Laura Cunha percorreram o país em busca de informações e coleções que guardam essas joias, testemunhas de um período ao mesmo tempo de sofrimento e riqueza. Em museus e coleções particulares, buscaram as peças mais significativas, pelo uso e pela arte, e apresentam neste livro um belíssimo apanhado dessa ourivesaria, que aqui vem acompanhado de textos, gravuras históricas, quadros e fotografias que atestam o uso dos delicados objetos.

JOIAS DE CRIOULA
de Laura Cunha e Thomas Milz
204 páginas
28 x 28 cm
R$ 110,00
ISBN 978-85-7816-078-4
Edição bilíngue

Sobre os autores
Laura Cunha, desde a década de 1990, pesquisa a produção, o uso e os significados de joias e adereços no Brasil colônia. Formada em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo, completou sua formação profissional com estudos de ourivesaria na Alemanha entre 2001 e 2004. Atualmente, é designer de joias e professora de ourivesaria.

Fotógrafo e jornalista alemão, Thomas Milz é formado em Ciências Políticas e História Latino-americana pela Universidade de Colônia, Alemanha. Desde 2002 faz cobertura sobre o Brasil a partir de São Paulo para diversas mídias alemãs. É co-organizador do livro O Brasil dos correspondentes.

Texto + Fotos: Editora Terceiro Nome

A Terceiro Nome e o Bar e Restaurante Sabiá convidam para o lançamento do livro:
Joias de crioula
de Laura Cunha (texto)
e Thomas Milz (fotos)

Quarta-feira, 5 de outubro, a partir das 19 horas
Rua Purpurina 370
Vila Madalena - São Paulo


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